domingo, 4 de fevereiro de 2018

Não é loucura pensar em pecado, ainda não é, e não será sem a noção de pecado que o homem evolui. O processo descrito por Boris Groys, chamado de "Metanoia", invoca, numa tradição pós trágica, uma tomada de consciência de violência incontestável. Nada que mais se assemelhe à noção de pecado -- que provavelmente foi um recurso social inconsciente de atualização moral, dada a evolução demográfica e o desenvolvimento das forças produtivas de então. As tomadas de consciência inauguradas por processos "metanóicos " atualizam o conflito de classes sociais, criando novas normas sociais para os conflitos que vinham se instalando. O que é curioso observar é o papel do sentimento de subalternidade que permeia o processo de "metanoia". As demandas por capital se espalham por todos da população, progressivamente, o que torna a moralidade, no sentido tanto de criar condutas, quanto de estabelecer novas noções de justo, um mal necessário.

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