Não é loucura pensar em pecado, ainda não é, e não será sem a noção de pecado que o homem evolui. O processo descrito por Boris Groys, chamado de "Metanoia", invoca, numa tradição pós trágica, uma tomada de consciência de violência incontestável. Nada que mais se assemelhe à noção de pecado -- que provavelmente foi um recurso social inconsciente de atualização moral, dada a evolução demográfica e o desenvolvimento das forças produtivas de então. As tomadas de consciência inauguradas por processos "metanóicos " atualizam o conflito de classes sociais, criando novas normas sociais para os conflitos que vinham se instalando. O que é curioso observar é o papel do sentimento de subalternidade que permeia o processo de "metanoia". As demandas por capital se espalham por todos da população, progressivamente, o que torna a moralidade, no sentido tanto de criar condutas, quanto de estabelecer novas noções de justo, um mal necessário.
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domingo, 4 de fevereiro de 2018
quinta-feira, 23 de outubro de 2014
primeiro speakout
A dificuldade de realização do socialismo ideal nos põe frente a uma realidade "capitalística" que se percebe a partir do olhar etnográfico. Se, de um lado, temos o já clássico argumento de que a história justifica a tomada de lideranças e vanguardas por parte dos chamados, pejorativamente, de grupos eleitos, de outro, temos "a superficialidade e o barganhismo de posições contra-corrente ou anti-revolucionárias". O stalinismo e a corrupção de que sempre foi acusada a URSS tardia nos leva a essa reflexão, sobretudo no que diz respeito aos idealismos e idolatrias a eles referenciados como características constitutivas. As tomadas de posição mais à esquerda ou mais à direita, em que se acusam, sempre, em um regime socialista instituído, de posição fura-movimento, esse olhar crítico sobre a hierarquia amainada pelos saltos das conquistas sociais, nos colocam o problema estrutural que a etnologia pura tende a reconhecer. O problema posto sob a noção das diferentes perspectivas no interior dos movimentos sociais, por exemplo, obriga a modernidade a atualizar progressivamente o seu repertório político e a adicionar ao repertório da esquerda uma série de novas reivindicações que, moralmente e logicamente, por consequência da coerência política, se entusiasma no espírito por se refazer enquanto modelo político. Na esteira dessa incorporação das incoerências implícitas em todo novo macro regime político que busca se instituir legítimo, como grande exemplo (e análago ao que se convém sobre o stalinismo) está a maneira pela qual "as instituições de direito no Brasil foram criadas". Talvez, nesse campo, deva pedir licença para entrar, mas, como uma extrapolação semelhante ao que a sociologia faz da história pura pelo nome de diacronia, utilizo-me do pouco que aprendi sobre "a questão do bacharelismo no Brasil" para um salto interpretativo. Me parece que se tem como evidente que as coalizões entre o povo e uma elite esclarecida no Brasil, se por um lado nos coloca o dever de memória e de história de progredir na luta, respeitando os limites do que se pôde fazer até então, a crítica etnográfica e uma noção mais existencialista da vida nos faz debater sobre "um peso moral que carregamos com a militância", ou sobre a obediência que devamos ter para a obtenção, mesmo que sabida real e progressiva, a longo prazo de tais mudanças infra e super-estruturais que a revolução proletária traria, no caso do socialismo real (talvez fora de nossas vidas, mas para nossos filhos e netos...). Portanto, refiro-me não somente à adesão aos movimentos sociais LGBT, negro, feminista, mas também a dimensões próprias do indivíduo que constitui a massa necessária às mudanças sociais sob as égides legítimas que o caminho programado e lento oferecem. Refiro-me a questões sincrônicas aos próprios movimentos sociais, como o acordo entre burguesia revolucionária e proletariado diante do imperialismo norte-americano minando as iniciativas socialistas -- e as suas conquistas, que poderiam animar os indivíduos da viabilidade do projeto que se pretende instituir. Ainda mais, há que se saber e discutir e, nesse sentido, poder speakout a todo momento questões consideradas indizíveis, como vários "sentimentos pecaminosos" que possam vir a furar o movimento. A questão é que, mesmo que haja "bons patrões", o sentimento particular da inveja -- sobre o prestígio de uma cúpula, por exemplo, ou sobre o patrimônio de um chefe de esquerda, comparado ao seu próprio, ou, ainda, sobre um amante que possua mais características adstritas ou adscritas do que você... O tamanho da transformação social e a profundidade da revolução a ser tomada intranquiliza e anima, justo porque o caminho a ser tomado, de qualquer jeito, para todas essas questões, é, ulteriormente, a política, (mesmo que) de uma maneira geral.
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